Marília Fogaça, engenheira civil e coordenadora de obras rodoviárias na Sorocabana
Falar de engenharia rodoviária, para ela, nunca foi sobre lidar apenas com concreto, cálculos ou máquinas pesadas, mas sim sobre pessoas e a responsabilidade de garantir que a vida aconteça do outro lado da estrada, com segurança, com fluidez, com tempo ganho e riscos reduzidos.
Marília Fogaça começou sua trajetória em 1999, participando da duplicação da Raposo Tavares (SP-270), do km 92 ao km 115, em Sorocaba, uma obra que ampliou a trafegabilidade da região e impulsionou o desenvolvimento ao redor do município. Foi ali que deu seus primeiros passos em um setor que, naquele momento, era quase exclusivamente masculino, mas que ela escolheu seguir com coragem e muito amor pela profissão.
Dali em diante, percorreu diferentes frentes e desafios: atuou nas manutenções do gasoduto Urucu–Coari, em Manaus, avançando cerca de 700 km dentro da floresta amazônica, e acompanhou diversas obras rodoviárias pelo Estado de São Paulo, como recuperação de taludes, pavimentos e serviços de conservação. Cada experiência trouxe aprendizados, desafios e a certeza de que a engenharia pode transformar caminhos e realidades.
Hoje, quase três décadas depois, Marília retorna ao mesmo trecho onde tudo começou, a Raposo Tavares, como Coordenadora de Obras Rodoviárias da Sorocabana, uma empresa Motiva, liderando um feito inédito no setor rodoviário brasileiro: a transformação das antigas praças de pedágio em um sistema mais moderno, automatizado e seguro. Nesse processo, esteve à frente da demolição das estruturas físicas da SP-270, uma obra que demandou planejamento minucioso, tecnologia, acompanhamento contínuo e precisão, simbolizando o quanto a engenharia pode ser grandiosa quando coloca as pessoas no centro.
O resultado desse trabalho?
Mais fluidez para quem trafega, menos filas, mais segurança para colaboradores e motoristas. A engenharia, aqui, mostrou seu poder de remover barreiras, conectar histórias e devolver tempo para quem usa a rodovia todos os dias.
Ao longo desses anos, tudo mudou: a tecnologia, as normas, os sistemas de monitoramento, as demandas da sociedade. A engenharia evoluiu, e a Marília também. Tornou-se mãe, assumiu novas responsabilidades, viu de perto os desafios de ser mulher em um setor historicamente masculinizado.
Nada disso a intimidou. Pelo contrário, fez dela uma profissional ainda mais precisa e comprometida.
Apaixonada pelo que faz, Marília reforça que cada mulher que escolhe a engenharia pavimenta um pouco mais o terreno para as próximas que virão. Cada avanço, cada obra, cada desafio superado marca presença em um setor que precisa, e muito, também da visão feminina.
No Dia das Mulheres, essa história nos lembra que as mulheres podem e devem ocupar todo e qualquer espaço, para que todos possam seguir melhor.