O motorista que passa pelo trecho da BR-376 dentro de Ponta Grossa convive com um só cenário: conflito de tráfego urbano com tráfego rodoviário. Veículos pesados como carretas, caminhões que cruzam a cidade se misturando em meio a autos de passeio e motocicletas. Em horário de pico na manhã e final de tarde o tempo de viagem aumenta e gera um trânsito que acaba aumentando o tempo de viagem de quem está em deslocamento pela rodovia.
Um levantamento feito pela Motiva Paraná mostra que aproximadamente de 7,5 mil caminhões circulam por dia na região, o que representa mais da metade (55%) dos veículos que trafegam pela rodovia, cerca de 13,5 mil veículos.
O estudo leva em consideração o segmento da BR-376, Rodovia do Café, entre os quilômetros km 481 - próximo ao entroncamento com a BR-373 e o km 502, perto da Makita. Os números integram os estudos mais atualizados do setor de Engenharia, realizados em agosto de 2025.
A construção do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa nasce, como uma iniciativa voltada à segurança viária, ao propor a retirada do tráfego pesado do trecho urbano da BR-376 — hoje marcado pela convivência direta entre caminhões, veículos leves, motocicletas e pedestres dentro do município.
A presença constante de veículos pesados deteriora o pavimento do local, que semanalmente recebe intervenções de reforço das equipes da concessionária. Há também impacto no custo logístico, especialmente para transportadoras e motoristas profissionais.
De acordo com a PRF, entre 16/05/2025 e 16/05/2026, foram registrados 103 sinistros no techo que compreende o km 481 e o km 502, na região de Ponta Grossa. Dezessete sinistros a mais comparado ao mesmo período do ano anterior (de 16/05/2024 a 15/05/2025). Os números de acidentes graves cresceram 20%, de feridos 51%, assim como o número de mortes em 37.5%.
Sobre o contorno de Ponta Grossa
Segundo Luis Fernando Bertelli, chefe da Delegacia da PRF em Ponta Grossa (PR), a separação entre o tráfego urbano e o de longa distância é uma das medidas mais eficazes para reduzir acidentes em rodovias federais.
O trecho urbano das BR-373 e BR-376 que passa pela cidade é considerado hoje um ponto crítico, com histórico recorrente de colisões, engavetamentos e atropelamentos.
A mistura entre o trânsito local e o intenso fluxo de caminhões que seguem para os portos gera conflitos constantes e aumenta o risco de sinistros graves. Para a PRF, sem intervenções estruturantes, como o novo contorno, a tendência é de continuidade e agravamento dos acidentes e dos custos sociais e econômicos.
Sobre o contorno de Ponta Grossa
Com investimento superior a R$ 1 bilhão, o novo contorno terá aproximadamente 42 quilômetros de extensão, em pista dupla, com nove dispositivos de acesso conectando importantes eixos viários da região.
O traçado terá início no Trevo do Caetano (BR-376) e seguirá até a região do distrito industrial, nas proximidades da Makita, promovendo a conexão com a PR-151 e criando uma alternativa segura para o tráfego de longa distância.
A previsão de conclusão é até 2032, com esforços da concessionária para antecipar a entrega.
Geração de empregos e desenvolvimento regional
O projeto prevê a criação de até 12 mil postos de trabalho ao longo das obras, com início das contratações a partir de 2027 e pico entre 2028 e 2029.
Serão cerca de 3,2 mil empregos diretos, envolvendo funções como operadores de máquinas, engenheiros e equipes operacionais, além de aproximadamente 9,6 mil vagas indiretas, impulsionadas pela cadeia produtiva associada à obra.