A Motiva Paraná apresenta as diretrizes e aspectos técnicos do projeto do contorno rodoviário em Ponta Grossa, após avanços nos estudos sobre as sugestões de entidades e do poder público. A concessionária adequou o traçado à maioria das demandas de lideranças da região no que era possível tecnicamente, mas encontrou condições naturais que inviabilizam acatar todas as propostas recebidas dentro das diretrizes previstas no contrato de concessão
Um dos principais exemplos é que o traçado proposto pela concessionária representa um balanço de massa cinco vezes menor do que na sugestão que considera um traçado com intersecção com a PR-151 mais ao norte da Maltaria Campos Gerais. Esse princípio se baseia em buscar a menor diferença possível entre volumes de corte e de aterro do material escavado em uma obra de grande porte, minimizando os impactos ambientais.
Essa diferença ocorre porque Ponta Grossa está em uma região com relevo bastante acidentado e com alta incidência de solo colapsível, um tipo de terreno poroso e seco, com baixa resistência e risco de afundamento abrupto quando em contato com a água. Por isso, é preciso trazer material de jazida de outras regiões.
De acordo com as projeções do estudo técnico desenvolvido pela concessionária, a alternativa defendida por lideranças locais e que prevê um traçado mais ao norte da Maltaria demanda 9,130 milhões de m³ de material de jazidas externas, enquanto o traçado da Motiva Paraná estima a escavação de 1,790 milhão de m³.
Além de afetar a sustentabilidade, a dificuldade em encontrar essa quantia de material em jazidas da própria área impacta significativamente a viabilidade da obra de ser entregue dentro do prazo contratual. São 7,340 milhões de m³ a mais para aterros, o que representa 482 mil viagens de caminhões com caçamba com capacidade para 15 m³, impactando diretamente no prazo de obras e liberação do contorno rodoviário para todos os usuários da rodovia.
Risco à captação de água
No projeto apresentado pela concessionária, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, que é a zona de amortecimento do Parque Estadual Vila Velha, será preservada. Caso o traçado incidisse sobre área de preservação ambiental, haveria a necessidade de ampliação significativa do prazo para a realização de estudos ambientais complementares e para a obtenção das respectivas licenças. Assim, impactaria diretamente o cronograma de implantação da obra, bem como acarretaria impacto ambiental desnecessário.
Ainda, a Motiva Paraná buscou um projeto que não coloque em risco o sistema de captação de água do Rio Pitangui pela Sanepar. O traçado mais ao norte da Maltaria faria com que o contorno passasse em um ponto mais alto em relação à nascente do fluxo de água, com maior risco ambiental.
Em caso de acidente próximo ao Rio Pitangui com caminhão que transporte material químico, seria grande a possibilidade de afetar a captação da estação que corresponde a grande parte do abastecimento de Ponta Grossa.
Outro fator considerado é que o traçado ao norte da Maltaria também exigiria o remanejamento de uma linha de torres de transmissão de alta tensão.
Sem interferências
O traçado da Motiva Paraná foi readequado após sugestões de entidades e não interfere no funcionamento de áreas da Fazenda Escola da UEPG, Exército, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do assentamento Emiliano Zapata, vinculado ao Incra, e de loteamentos residenciais, como o Alphaville.
A proposta que usa uma extensão maior da Rodovia do Talco, por exemplo, resultaria na desapropriação de parte da área onde estão 72 famílias do assentamento Emiliano Zapata. “São questões técnicas e nossas equipes buscam dar o máximo de transparência ao dialogar com a sociedade. Por isso, temos tranquilidade em dizer que o traçado da Motiva Paraná é o mais viável e adequado para toda a rodovia”, diz o diretor-presidente da concessionária, Keller Rodrigues.
Benefícios
Para retirar o tráfego mais carregado da cidade, a Motiva Paraná elaborou uma proposta de traçado para o contorno com quase 42 km de extensão. O projeto inclui nove dispositivos de interligação com outras vias e um investimento total estimado em mais de R$ 1 bilhão.
A proposta impacta positivamente na logística produtiva não só dos Campos Gerais, mas também do Paraná. O objetivo é oferecer uma alternativa que reduza o tempo de viagem, reduza os custos do transporte de cargas e ofereça mais segurança viária motoristas e para a população.
O contorno será em pista dupla nos dois sentidos, com início na BR-376, no Trevo do Caetano, e com término no distrito industrial, ao lado da fábrica da Makita, na mesma rodovia. O traçado une dois percursos pelo trecho norte e leste, em um dispositivo completo de acesso para a PR-151.
“Pelo contrato que assinamos junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o contorno rodoviário de Ponta Grossa deve ser entregue até o sétimo ano de concessão. Buscamos a interlocução com entidades da sociedade civil no desenvolvimento de uma proposta assim que a concessionária completou os estudos necessários, como forma de antecipar a obra que trará benefícios imediatos para a região e para toda rodovia”, aponta o diretor-presidente da concessionária.
Compromisso
Logo após assumir a operação de 569 km de rodovias federais e estaduais, a Motiva Paraná iniciou estudos que apontaram para o primeiro modelo do traçado. Entre os critérios para o levantamento, foram considerados a redução do tempo de transposição da área urbana dos veículos de cargas e maior segurança viária do ponto de vista operacional.
A rodovia será do tipo Classe 1-A, que permite apenas acessos controlados à pista, sem a instalação de ligações não autorizadas. Serão nove dispositivos de acessos implantados, o que corresponde a uma média de menos de 5 km entre dois trevos.
Ainda, haverá passagens em desnível para vias existentes ou previstas em projetos, o que não impede o crescimento da cidade para além do contorno e evita que estabelecimentos comerciais se instalem às margens da rodovia com acesso direto à pista. Essas condições são determinantes para evitar que a via “se torne uma avenida”, como ocorre hoje na Avenida Souza Naves (BR-373).
Com o compromisso inegociável de cumprir o contrato, o traçado inicial obedece a diretrizes e buscou interferir o mínimo possível em áreas de preservação ambiental ou espaços ocupados por organizações, famílias e empresas.
Opções estudadas
Mesmo com o traçado sendo mais viável tecnicamente, a Motiva Paraná, de maneira democrática, dialogou com entidades, autoridades e órgãos públicos por possíveis alterações na proposta original. As reuniões foram divididas em três etapas, a partir de junho de 2025 até abril deste ano.
No total, representantes da Motiva Paraná debateram o contorno em 90 encontros com a participação de 50 entidades até 22 de abril deste ano. Foram ouvidas lideranças empresariais, de movimentos sociais e comerciantes ou industriais, além de representantes do Poder Público. São exemplos a Prefeitura de Ponta Grossa, Governo do Paraná, Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (CDPEG) e unidades municipais e estaduais de órgãos como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).
Estudos complementares feitos pela concessionária após a rodada de reuniões com entidades consideraram, por exemplo, o interesse público, a estabilidade da obra, a análise de riscos ambientais e sociais e o cumprimento de diretrizes de engenharia. “Ouvimos todas as sugestões e acatamos grande parte do que foi proposto e é considerado viável, tanto técnica quanto ambientalmente, para retirar o tráfego pesado de Ponta Grossa o quanto antes”, explica Keller Rodrigues.
Sobre a Motiva Paraná – É responsável pela concessão de 569 quilômetros de rodovias no estado e abrange 21 municípios nas rodovias BR-369, BR-376, BR-373, PR-445, PR-170, PR-323 e PR-090. O investimento ao longo de 30 anos será de R$ 16 bilhões em obras de melhorias de infraestrutura viária, como contornos, duplicações e faixas adicionais, além da operação.
Sobre a Motiva – Maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, atua nas plataformas de Rodovias, Trilhos e Aeroportos. São 39 ativos, em 13 estados brasileiros e 16 mil colaboradores. A Companhia é responsável pela gestão e manutenção de 4.475 quilômetros de rodovias, realizando cerca de 3,6 mil atendimentos diariamente. Em Trilhos, por meio da gestão de metrôs, trens e VLT, transporta anualmente 750 milhões de passageiros. Em Aeroportos, com 17 unidades no Brasil e três no exterior, atende aproximadamente 45 milhões de clientes anualmente. Foi a primeira empresa a abrir capital no Novo Mercado da B3 e compõe há 14 anos o hall de sustentabilidade da B3.